Introdução
As
práticas dos dois grandes sacramentos do Evangelho e de outros ritos
sacramentais, que se desenvolveram na Igreja sob a orientação do Espírito
Santo, são atos pastorais públicos e comuns da Igreja e não de indivíduos e têm
a finalidade de sinalizar a graça, a iniciativa e favor de Deus voltado em
Jesus Cristo para o mundo e pessoas, no poder do Espírito Santo. O Batismo
sinaliza e comunica essa graça para a iniciação ou incorporação plenas das
pessoas na comunhão eucarística e missionária. Na Santa Comunhão, a Igreja se
manifesta como uma comunidade eucarística, alimentando-se do sacramento do
Corpo e Sangue de Cristo para a missão. A graça é sinalizada e comunicada às
pessoas, para devidos fins, na confirmação dos votos batismais, na ordenação ao
tríplice ministério, no casamento, na reconciliação dos penitentes e na unção
dos enfermos.
Batismo, inclusão e identificação com Cristo
A inclusão
plena das pessoas na comunidade do povo de Deus – Corpo de Cristo, comunidade
do Espírito Santo, da Nova Aliança, da Nova Criação – ocorre mediante a
identificação dos batizados com o que faz a Igreja ser Igreja, participação no
que a Igreja e seus membros têm em comum. De modo sucinto, Paulo se refere a
essa identidade comum de todos os cristãos dizendo: Pois, em um só Espírito,
todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos,
quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito, (1Co 12.13). As
pessoas independentemente de raça, nacionalidade, de status social e de gênero,
(ver Gl 3.27) são feitas co-participantes de Cristo, de sua vida, morte e
ressurreição (Ro 6.3ss.) e do Espírito Santo, o penhor e antegozo da nova
criação, da plenitude da salvação, quando Deus será tudo em todos, (1Co
15.28). Em forma de narrativa, Jesus, batizado no Jordão, sobre quem desce o
Espírito Santo, em toda a plenitude e testemunhado por João Batista como quem irá batizar com
Espírito Santo (Mc 1.8; Lc 3.16; Jn 3.33), pergunta e afirma aos discípulos
envolvidos em crise de status no reinado de Deus: podeis vós beber o cálice que
bebo ou receber o batismo com que sou batizado? (Mc 10.38-39; Lc 12.50),
referindo-se à sua Cruz. Com efeito, seguindo a seqüência das narrativas dos
evangelistas, a Igreja surge no cenário da história como o povo da nova Aliança
com a realização da missão que Jesus assumiu como o Enviado de Deus no seu
batismo na sua vida, obra, morte e ressurreição e a conseqüente vinda do
Espírito Santo sobre toda a carne, (At 2.17). Com isso o fundamento do arrependimento
- o retorno ao Senhor, a mudança de mentalidade e relacionamento com Deus e uns
com os outros – foi lançado. Nisto se cumpriu o testemunho de João e o batismo
cristão se tornou uma realidade no Pentecostes.
Batismo – sacramento da unidade
Tudo
isto significa que o Batismo é a identificação com o nascimento da Igreja, do
povo de Deus, do povo da nova aliança para a missão, conforme o testemunho dos
profetas, (por exemplo, Jr 31.31; Ez 36.26, 24-25). Essa identificação é por
meio da inclusão ou do “enxerto” em Cristo, que venceu, pela sua doação de amor
enfocada na Cruz, todas as formas de alienação, ou de separação, isto é, da
morte e do pecado cujo, sentido é focalizado na inimizade com Deus e uns com
outros. “Toda autoridade que foi dada” ao Senhor ressuscitado,(Mt 28.18) é a
capacidade demonstrada na doação de si mesmo em amor, na forma de fraqueza, (Fp
2.7,8), tendo participando nos sofrimentos humanos como intercessor, (He
2.17;5.7). Essa vitória significa e efetua a nova modalidade de relacionamento
de Deus com as pessoas e entre as pessoas e com o mundo. Esse relacionamento é
permeado de fé, confiança, amor, paz e acolhimento mútuo entre os diferentes e
até inimigos como sinal da presença do Reconciliador. É por isso que o Batismo
consta dentro daquela tríade da unidade da Igreja na Carta aos Efésios, “um só
Senhor, uma só fé e um só Batismo”, (4.5).
Diga-se de passagem que a unidade batismal não está na uniformidade do seu
rito, mas na inserção no seu Batismo (sua missão) iniciado no Jordão,
continuado na sua vida, e consumado na morte e ressurreição e na doação do
Espírito Santo, o qual é o penhor, em meio à tensão do “já” e do “ainda não”. É
isso que levou os teólogos anglicanos do século XVII e XVIII a dizer que os
“fundamentos da fé exigidos para a salvação e professados no Batismo são os
únicos termos próprios da comunhão na Igreja”.
O anglicanismo tem reconhecido o batismo praticado em outras Igrejas cristãs em
nome da Trindade com água. Nos fins do século passado, as Igrejas signatárias
do Batismo, Eucaristia e Ministério, da Fé Ordem do Conselho Mundial de Igrejas
reconheceram o batismo das mesmas e, neste país, as Igrejas integrantes do
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs fizeram o reconhecimento mútuo do batismo.
Batismo no Livro de Oração Comum
Com efeito,
o rito batismal que herdamos expõe a unidade que compartilhamos, o significado
e o propósito do Batismo. Esse rito ocorre em resposta ao ministério da
Palavra, do anúncio do Evangelho. Os batizandos são acolhidos e apresentados.
Segue-se a aliança batismal precedida da renúncia ao mal, da aceitação de
Cristo como Salvador e da intenção de seguir a Cristo.
Aliança Batismal
A
aliança batismal é basicamente o Credo apostólico ou batismal, resumo da Fé
cristã que dá embasamento ao Batismo em nome da Trindade. Essa aliança ou pacto
prossegue na direção do propósito da iniciação e inclusão na comunidade
eclesial e eucarística, isto é, a permanência com a ajuda de Deus na doutrina
dos apóstolos, no partir do pão e nas orações, na proclamação do Evangelho de
Cristo e sua conseqüência na defesa da justiça e paz para todos, e no respeito
da dignidade de todo ser humano, enfim, participação na missão de Deus em seus
múltiplos aspectos.
Bênção da Água
Daí
se segue a ação de graças pela água do Batismo, na forma de narrativa e
memorial da Criação e da história da salvação sob a metáfora da água de modo a
relacionar não só a história da salvação com os batizandos, mas também de os
incluir na missão do povo Deus, na forma de invocação, “santifica esta Água
pelo poder do Espírito Santo a fim de que os que nela forem batizados sejam
purificados e renascidos em Cristo, recebam a remissão dos pecados e continuem
para sempre na vida ressurrecta de Cristo, nosso Salvador.” Temos aqui o rito
de purificação pela lavagem ou banho existente, notadamente, no judaísmo da
época e em outras culturas, visto sob uma nova ótica. O antigo rito da
purificação está a serviço da imersão na morte e ressurreição de Cristo para a
novidade de vida que se expressa numa nova visão de Deus, do mundo e do
relacionamento entre as pessoas. Isso implica na mudança da visão, por exemplo,
do valor e discriminação das pessoas, em termos de posição social, (Mc 9.33ss;
10.35ss.) da raça e do gênero, (Gl 3.27ss) culturalmente herdada.
Batismo em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
para Missão
O
Batismo por meio de aspersão da água no batizando (a) ou imersão do mesmo na
água em Nome da Trindade é seguido do sinal da Cruz, selo do Espírito Santo, na
testa de cada pessoa com água ou podendo fazer o uso opcional do óleo
consagrado pelo bispo.
Após a entrega opcional do círio aceso, faz-se a recepção dos batizados na
Igreja, família e corpo de Cristo, qualificados como membros, filhos (as),
fraternos, concidadãos. A última frase sublinha a co-participação na missão e
no ministério: confissão da fé e partilha do sacerdócio eterno de Cristo. Nisto
é preciso perceber a convergência entre o sacramento como “sinal visível e
externo da graça interna e espiritual” e a Igreja como sinal visível de Cristo
e do seu Reino e tornar-se instrumento dessa graça, isto é, como uma rede de
relacionamento fraterno acolhedor, alimentador e sustentador da fé. Frise-se
aqui que o batismo infantil salienta a iniciativa da graça, o favor imerecido,
que não discrimina a pessoa por idade ou por carência de capacidade
intelectual, ou por ser filho (a) de mãe solteira ou de pais não casados. Pois
o rito batismal incorpora o Evangelho que venceu e vence todas as formas de
separação e discriminação humana e reconcilia as pessoas em verdadeira
fraternidade, isto é, a remissão dos pecados, e novo nascimento para a novidade
de vida.
Para se
realizar a Confirmação ou Recepção juntamente com o Batismo, ver as rubricas da
página 169. É bom se lembrar de que o rito da Confirmação até o fim do Sermão é
o mesmo padrão do Ministério da Palavra na Eucaristia. Então, os candidatos à
Confirmação poderão ser apresentados e examinados depois da apresentação e
exame dos candidatos ao Batismo, (p. 164 e 177) e todos farão a Aliança
Batismal.
Não havendo a
celebração da Eucaristia, usa-se a conclusão alternativa do rito batismal.
Importância do uso do Livro de Oração Comum para a
unidade provincial
Estão, assim
expressos na liturgia batismal os fundamentos básicos da fé, da vida e missão da
Igreja como nós anglicanos desta Província cremos, em comunhão com outras
Províncias da Comunhão Anglicana. Por isso, a unidade não está na simples
adesão à uniformidade ritual, mas, sim, na acolhida, e na partilha do
Evangelho, da fé, vida e missão da Igreja – um só Senhor, uma só fé e um só
batismo - como são anunciados, expostos e praticados na Liturgia batismal desta
Província. A importância do uso do Livro de Oração Comum vale, também, para
outros ritos, principalmente das ordenações. Essa unidade batismal inclui,
outrossim, a “comunhão real, porém imperfeita” com as Igrejas trinitárias,
sejam episcopais, sejam não episcopais.
Importância do catecumenato ou educação cristã
contínua
Tudo isso quer
dizer uma coisa. O Batismo não é um “crachá” que se cola no cristão como dizia
um dos arquitetos
da eclesiologia anglicana do século XVII, mas é um meio eficaz de incorporação
da pessoa em Cristo na sua Igreja. Isso implica em, pelo menos, três coisas.
(1) A solicitação da bênção e graça do Batismo deve ser entendida como desejo
de incorporação na comunidade onde se nutre da Palavra e dos Sacramentos para a
missão e não como obtenção de um “crachá” de acesso aos outros ritos
sacramentais, mormente, do casamento. Com fins de cuidado pastoral é preciso
assegurar dos candidatos ou dos pais a intenção de pertencer a um dos segmentos
da Igreja uma, santa, católica e apostólica que somos. Isso não implica em
proselitismo. (2) O Batismo assim entendido carece de uma preparação dos pais e
fiadores nos princípios básicos da fé cristã e nos rudimentos da eclesiologia
anglicana. Isso deve ser visto como um processo contínuo de todos, porque a
Eucaristia e outros atos da Igreja são uma espécie de desdobramento do
significado do Batismo. O importante é que haja alguma espécie de catecumenato
contínuo da Igreja. Nesse sentido, a Aliança Batismal que é feita por todos e
não apenas pelos candidatos ao Batismo, e a substituição do Credo, em algumas
ocasiões, pela Aliança Batismal indicam a importância do catecumenato contínuo.
Também, a preparação dos candidatos para a Confirmação é uma oportunidade para
reforçar o catecumenato ou educação cristã. (3) É importante que a Igreja como
uma comunidade de fé, rede de afeição se torne em braços de Cristo para a
recepção e crescimento dos batizados. Aqui é aplicável o que o apóstolo Paulo
disse a respeito da relação santificadora do casal à teia dinâmica da fé e
amor. “O marido incrédulo é santificado no convívio da esposa” e vice-versa,
(1Co 7.14).
Rubricas
Há
quadro de referências do significado do Batismo assinalado nas rubricas que
enriquece a nossa compreensão do Batismo e, por isso, não deve ser ignorado.
A rubrica, (p.162)
nos sugere que o Batismo se realize, preferencialmente, aos domingos e dias
santos, assinalando a conexão essencial entre o rito batismal e a morte e a
ressurreição de Jesus. Os dias santos como entende o Livro de Oração Comum
estão em função desse Cristo. E uma outra implicação disso é a importância da
presença dos fiéis como testemunhas para a Renovação da aliança batismal.
A ministração
do Batismo preferencialmente com a Eucaristia visa dizer que o Batismo é a
iniciação plena dos batizandos na comunidade eucarística, que é a Igreja. E
quando o Bispo está presente, é seu privilégio ser o celebrante do Batismo,
indicando que este é o sacramento da unidade.
O Batismo é
ministrado uma só vez, não devendo haver rebatismo.
Os textos
bíblicos nas páginas 171 e 172 nos lembram das dimensões importantes do ensino
batismal e a Fórmula de Consagração do Óleo, para ser usado, opcionalmente,
salienta o selo batismal do Espírito Santo como sinal da participação no
sacerdócio régio de Jesus Cristo.
EUCARISTIA CEIA DO SENHOR
A
Liturgia da Eucaristia – compreendida como a celebração simultânea da Palavra e
do Sacramento
– é um sinal visível e manifestação (epifania) da comunidade batismal, que
anuncia a morte e a ressurreição de Cristo com louvor e ação de graças e “sua
presença viva nos santos mistérios do seu corpo e sangue”. Essa ação conjunta
do povo de Deus é, paradoxalmente, a obra do povo que Deus reúne, pelo poder do
Espírito Santo e o envia ao mundo. É possível e benéfico sublinhar a natureza
sacramental desde o começo até o fim dessa ação conjunta de proclamação e celebração.
O sacramento é um sinal externo e visível
da graça interna e espiritual. Essa graça é Cristo, sua Presença dinâmica
atual. Cristo se fez presente como uma figura histórica. A fé percebeu e entendeu
que Jesus Cristo é a presença de Deus conosco na Sua humanidade. Assim
compreendido Jesus Cristo é o sacramento primordial de Deus, o dom do eterno
Deus a nós e a resposta fiel a esse dom, em sua humanidade.
Então, à luz de Jesus Cristo o universo é sacramental. De fato, houve quem
falasse nesses termos.
O sacramento é, assim, um sinal que se vê, significa alguma coisa, comunica o
que é significado interiormente, o Cristo, aos olhos da fé, e evoca resposta
semelhante a Cristo. Esse sinal é a linguagem que a Igreja utiliza para falar
para si mesma e para Deus e para o mundo. Na perspectiva da fé, no
relacionamento de confiança, o sacramento é a linguagem de Deus para a
humanidade e para a Igreja através de Jesus Cristo, (Verbo feito carne), mas,
ao mesmo tempo, é a fala da Igreja para Deus, em louvor, ação de graças e
súplica.
Tudo isso quer dizer que a Palavra acontece, é ouvida, comunicada e recebida,
em fé, por meio das limitações humanas não só em termos gerais, mas concretas
de história e de cultura. O importante é que a resposta seja condizente a
Cristo, isto é, andar no cainho da promoção da paz, justiça e dignidade humana.
Tudo isso significa que a resposta é dada a Deus nas palavras frágeis humanas
com todas as suas limitações e possibilidades disponíveis e conhecidas de uma
época e de uma cultura. Porém essa Palavra, presença e atividade sobrepujaram e
continuam sobrepujando a distância, alienação, conflito, e desobediência de tal
modo que, no poder do Espírito Santo, comunhão com Deus e uns com os outros
para a Missão, aguardando com esperança viva a manifestação da plenitude da
comunhão.
PRESENÇA
A Presença pode servir de um tópico
norteador de uma pastoral do sacramento da Eucaristia. No
“Esclarecimento”(1979) sobre Presença real a Comissão Internacional Anglicana-Católica
Romana diz o seguinte:
É o Senhor glorificado que a comunidade dos fiéis
encontra durante a celebração eucarística, na pregação da Palavra, na
participação fraterna da ceia do Senhor, no coração daquele que crê e, de modo
sacramental, nos dons do corpo e sangue já oferecidos na cruz pela salvação das
pessoas. (Relatório Final, p.34)
Podemos falar na presença do Cristo, desde o início
até o fim, em diferentes modalidades, expandindo o esclarecimento acima por
meio do conceito do sacramento como a linguagem da Igreja, que envolve uma
relação triádica, Deus, nós – a Igreja – e o mundo. Na reunião acolhedora de
dois ou três em seu Nome, já prometida no Antigo Testamento, (por exemplo, Jr
31.8; 32.37), o Senhor ressuscitado faz presente. Sob sua voz que nos congrega,
caminhamos para a ação conjunta do povo de Deus. Como acolhidos de Deus
acolhemos uns aos outros. O importante é a disposição de todos, de modo que
aquele que preside em nome de Deus a assembléia acolhedora tenha o respaldo de
todos e, desse modo, Jesus Cristo se torne visível, principalmente, aos
estranhos, aos de longe, aos diferentes. Neste contexto, sentido faz a
afirmação de que “a assembléia é a celebrante, em, por e com Cristo” e de que
essa seja feita ordenadamente, de tal maneira que leigos, bispos, presbíteros e
diáconos cumpram funções próprias.
Assim como na estória de Emaús o estranho convidado se torna anfitrião no
partir do pão, o Cristo celebrado, lembrado inverte o papel e vem a ser
celebrante. Pois Ele é a Palavra-presença que vem de Deus e nos conduz a Deus,
(Is 55.11).
No ministério da Palavra
O ministério da Palavra compreende a Coleta do Dia,
as leituras do Antigo Testamento e do Novo Testamento, do Evangelho e da
pregação seguida de Credo, e, também de hinos e salmos, sendo o Evangelho o
ponto culminante. A Palavra testemunhada nas Escrituras está estreitamente
relacionada com a Palavra testemunhada hoje por meio de exposição,
interpretação e aplicação. Convém lembrar-nos de que o coração da Palavra é o
Verbo feito carne.
Em todos esses atos, a Palavra é dirigida a nós e
nessa Palavra, (sinal e sacramento como foi dito acima) dirigimo-nos a Deus em
louvor e súplica. Credo
como sumário das Escrituras e da Fé é confissão e, simultaneamente, louvor a
Deus. A oração, palavra dirigida a Deus, fala a nós, mas é preciso não cair em
exortação ou em indireta. Em síntese, proclamamos e ouvimos a Palavra, no
contexto de adoração de louvor, de ação de graças e súplica.
Tudo isso significa que o preparo semanal dos que
exercem funções litúrgicas e de todos tem muita importância. Pois se trata da Palavra
e da Presença, “para quem segredo algum está oculto”. Essa presença que
queremos comunicar a nós mesmos e ao mundo.
Havendo o Batismo e Confirmação conjuntamente aqui é
um lugar apropriado para essas ministrações. Quando se ministra apenas a Confirmação,
a saudação, acolhida e o ministério da Palavra são do próprio rito da
Confirmação e dispensa-se o Credo porque a Aliança batismal o substitui. (Ver
rubricas do LOC, p.169)
Nas orações - Intercessões
As orações são
resposta natural e essencial à proclamação. Há mais do que uma forma de fazer
intercessões: espontâneas, orações extraídas de outros ofícios, litania e
litania para ordenações adaptadas.
Nas intercessões
– Oração do Povo, a ênfase na comunidade, feita por ela – expressamo-nos como
uma comunidade ou assembléia que participa do Cristo, Intercessor, de sua
vitória sobre todos os tipos de separação, aperfeiçoando as nossas imperfeitas
e fragmentadas orações.
Nas
orações do povo trazemos diante de Deus as necessidades do mundo e da Igreja, para
que a vontade de Deus seja feita. Os tópicos indicados, (p. 60 e 73) as formas
de Intercessões, (p. 92-6) e Litania nas Ordenações do Livro de Oração Comum
indicam a amplitude dos assuntos, inclusive os que partiram, a serem
apresentadas diante de Deus, Criador, Redentor e Santificador de todas as
coisas. Pois o Evangelho, o Cristo, abrange todas as dimensões da vida e é para
todos, em suas diversas situações. Conseqüentemente, a Igreja é para todos.
Assim, as intercessões devem expressar a sua catolicidade, de acordo com os
Credos.
Em
particular, devemos nos lembrar de que somos herdeiros das orações em prol da
humanidade, da nação, do povo e dos que exercem autoridade. Vivemos num país
democrático, onde há três poderes distintos, em nível federal, estadual e
municipal. Isso deve ser lembrado em nossas orações. Num mundo cada vez mais
interdependente, é preciso incluir, também, outras nações e a organização como
ONU. As orações não visam apoio político partidário, mas “paz e justiça sobre
a terra”. As intercessões não implicam em renúncia de distância crítica e
profética.
É
claro que a amplitude dos tópicos se torna um problema, porque fazemos a
liturgia dentro de um tempo limitado, mas sem uma visão ampla e universal,
poderemos nos tornar involuntariamente “sectários”. Por outro lado, sem a
conexão concreta do local, perderemos o senso do real. Na verdade, somo Igreja
local e universal, ao mesmo tempo. O importante é que tudo seja colocado
debaixo do reinado transformador de Deus, cuja manifestação plena aguardamos
com esperança viva.
Após
a oração pelos vivos e mortos, no mesmo contexto de confiança e amor, como item
final, entregamos nas mãos de Deus o cuidado de nós mesmo, principalmente, o
pecado, confiantes no perdão. Isto significa que os outros têm precedência
sobre as nossas preocupações reais. Mesmo no Rito I, “a Ordem Penitencial
poderá ser feita após as Intercessões e antes da Saudação da Paz”, (Ver Livro
de Oração Comum, p.54).
Na Saudação da Paz
Como
perdoados aproximamo-nos à Mesa do Senhor com a oferenda de nós mesmos, para
tanto, reafirmamos a nossa reconciliação, (Mt 5.23; 2Co 5.18ss.),
compartilhamos Cristo, a nossa paz, (Ef 2.14,17; Jo 20.19), e desejamos a
outrem a mesma paz, (Lc 10.5). Essa paz tem a ver com a inclusão dos excluídos
e soerguimento dos humilhados, (Sl 85.10-11; Tg 3.18).
A
localização da saudação da paz neste lugar é preferência do Livro de Oração
Comum. Pois diz a rubrica do Rito I, depois do Partir do Pão, “poder-se-á
fazer aqui a Saudação da Paz, se não foi feita anteriormente” (p.64). Também, a
localização da saudação antes do Ofertório é mais antiga. Também é momento
oportuno para a apresentação dos visitantes e sua recepção com boas vindas. (Ver
a rubrica, na página 74. Poderão ser apresentados quer dizer não são
obrigados.)
Na Preparação da Mesa e Ofertório
A saudação da paz
desencadeia a ação de preparar a Mesa. Com isso o foco da atenção passa do Atril
(Palavra) para a Mesa. O preparo da Mesa e a procissão das oferendas para ser
colocadas sobre a Mesa são atos preliminares, em função da ação eucarística a
ser realizada, em ato contínuo. Por isso, é recomendável o equilíbrio entre a
preparação e ofertório, para que as orações sobre o pão e o vinho não antecipem
a oblação na Oração Eucarística. Os símbolos falam. É o caso de pensar se a
escassez do pão e do vinho (cálice pequeno demais) comunica a generosidade dos
dons de Deus.
Na Oração
Eucarística
A oração, que
começa com o diálogo – o Espírito do Senhor seja convosco, elevai os corações,
demos graças – é unitária e feita pelo celebrante, bispo ou presbítero.
O primeiro
diálogo assinala o consenso de que ali está reunida a comunidade do Espírito
Santo. E a oração é feita ao Pai pela mediação do Filho no poder do Espírito
Santo. É um bom lembrete de que o celebrante (presidente da assembléia) e a
comum idade (assembléia litúrgica) estão unidos no Espírito Santo, tendo cada
qual sua função.
O segundo diálogo se refere à direção e lugar de
nossa adoração, “com ele, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares
celestiais em Cristo Jesus” (Ef. 2.6; He 10.19-22; Sanctus, e “nos fizeste
dignos de estar diante de ti”, Livro de Oração Comum, p.76). O Senhor, a quem
nós adoramos, vem a nós e nos conduz à sua Presença. Para não perdermos de
vista o realismo cristão, é no meio deste mundo turbulento que temos a visão do
universo transformado com esperança viva.
O terceiro diálogo tem a ver com a essência
da oração que se segue: dar graças. Trata-se da concepção bíblica de que a ação
de graças é a consagração. É no contexto da ação de graças que os elementos são
consagrados. Essa é a razão porque não aparece o título de Cânone de
Consagração, mas o título mais antigo de Grande Oração eucarística. A ênfase
recai sobre a ação de graças, o reconhecimento do que Deus tem feito como a
base da súplica, “santifiques”... Essa leve mudança de foco é resultado de
muitos anos de estudos e debates teológicos pelos estudiosos e responsáveis
pela Liturgia.
O nosso louvor
e ação de graças são partes do louvor de toda a Criação, (Is 6.1-3; Ap 4.8; Mt
21.9; ver, também, Sl 104,147, a vastidão do espaço..., e muitas outras coisas
ainda para ser conhecidas(LOC p.81). Nesse louvor, “dando expressão a toda
criatura debaixo do céu, nós te aclamamos” vemos a nós em função sacerdotal no
meio da Criação. Essa comunhão de louvor não se limita ao local e ao tempo da
celebração, mas inclui a visão do que há de vir, “sempre e em toda parte”. A
Igreja - (assembléia do povo) que assim se manifesta (faz epifania) - é a
comunidade batismal, que compartilha o “Eterno Sacerdócio” de Cristo, (LOC
p.169).
O louvor e a ação de graças pela criação,
redenção e santificação dirigidos a Deus incluem as palavras de Instituição e
nelas culminam. Elas fazem parte da série de ação de graças. Seguida de ação de
graças a oração passa para o memorial na forma de aclamação e outra como se
encontra nas páginas 63 e 88, Portanto, ó Pai, seguindo o mandamento de teu
Filho comemoramos até que Ele venha... O memorial, que inclui todo o evento de
Cristo, inclusive a descida aos mortos e ascensão, é dirigido a Deus e não à
Igreja. E o memorial desencadeia a oblação, isto é, a oferenda de nós mesmos
(p.63), sacrifício de louvor e ação de graças com a apresentação “deste Pão e
Vinho”. Em ato contínuo esse memorial se torna súplica, “aceites...rogamos...
santifiques... estes dons para que sejam o sacramento do Corpo e Sangue de
Cristo". E a súplica contém a invocação do Espírito Santo (epiclese).
Essa seqüência nos mostra que o memorial (anamnese)
dirigido a Deus é a celebração, reapresentação do que Deus fez em Cristo, o
Sacrifício de Cristo feito uma vez para sempre, cujo efeito entra no presente e
cuja manifestação final, isto é, sua promessa entra no presente como antecipação
escatológica, “na plenitude dos tempos, sujeita todas as coisas a teu Cristo”
(p.77). O memorial é uma outra forma de confessar que, com gratidão e louvor,
o Cristo crucificado está vivo, continuamente vindo e permanece conosco e nos
dirige para a comunhão mais profunda de Missão. O memorial assim entendido
envolve a oferenda de nós mesmos (Ro 12.1), a questão humana mais problemática.
Por isso, “envia-nos o teu Espírito Santo”, “faze-nos um com Teu Filho em
sacrifício”,(p.77). Sem essa disposição de oferenda de nós mesmos nessa união,
a oração de louvor e ação de graças ficará vazia de sentido.
Em poucas palavras, o Espírito Santo o memorial e oferenda de nós mesmos.
A oração conclui com a doxologia trinitária
precedida de uma cláusula sobre o alvo da vida cristã, isto é, ser contado na
“herança sempiterna dos filhos e filhas”. Pois a glorificação de Deus e a
comunhão com Ele e uns com os outros é o propósito da vida cristã. A ação
conjunta do povo de Deus, (Liturgia) visa a esse objetivo. O uso aparentemente
supérfluo das preposições “por”, “em”, e “com” expressa a condição em que
oferecemos a Deus nossa vida (oração), na dependência da mediação única de
Cristo,(por), como membros do seu Corpo (em) e em sua companhia (com).
No Partir do
Pão
No encadeamento da ação eucarística, o Partir
do Pão, baseado no gesto de Jesus, é preliminar à comunhão por meio dos
elementos consagrados. Há mais de duas antífonas que acompanham a fração do
Pão. No Rito I, “o Pão que partimos é a comunhão do Corpo de Cristo, embora
muitos, somos um só Corpo.” O que se enfatiza é a comunhão na diversidade, dos
diferentes, mediante a participação no Corpo partido de Cristo e do seu sangue
derramado. O “embora muitos e um só Corpo” sugerem a junção do pessoal e social
no pão, na comunidade, na mesa e banquete.
No Rito II, a antífona “Cristo, nossa
Páscoa”... sugere a metáfora da festa pascal, festa do Cordeiro. O objetivo da
vida cristã é tomar parte no mistério pascal e compartilhar a Mesa com o Senhor
ressurreto, (Lucas 24 e Apocalipse 19.9). De fato, oramos para que sejamos feitos
“um com o Filho em sacrifício”, “unidos com Cristo em tua Santa Igreja”.
Festa, ceia, refeição, corpo, cálice da nova Aliança, e Nova Criação falam na
qualidade do novo relacionamento do reinado de Deus.
Neste sentido, as palavras do Santo Agostinho sobre o pão
na Mesa são oportunas. “O vosso mistério está colocado sobre a Mesa do Senhor e
recebeis o vosso mistério”, isto é, recebemos a nós em Cristo. Vemos a nós
mesmos com uma nova imagem. Também o Bispo de Hipona disse, “um só pão” e
perguntou, “quem é esse pão?” “Lembrai-vos de que o pão é feito de muitos
grãos” e comparou-nos com a farinha moída umedecida com a água do Batismo e
cozida pelo fogo do Espírito Santo e disse, “sede o que vedes e recebei o que
sois”, (Sermão 227 e 272). Assim o corpo tem várias conotações, o próprio
Cristo, a Igreja e sacramento e suas relações.
Sobre a
Presença Real
A presença real, na visão anglicana, é um
mistério e o mistério não se define. E à pergunta: após a oração eucarística
teve mudança a resposta mais consentânea com a noção do mistério e sacramento
seja talvez a mudança do significado. O pão e o vinho são sacramento do seu
Corpo e Sangue. É para isso que oramos no contexto de ação de graças. Neste
sentido é oportuno mencionarmos o esclarecimento sobre a Presença de Cristo na
eucaristia do Relatório Final (ARCIC), com referência à mudança.
A palavra “tornar-se”, usada aqui, mão implica mudança
material. Nem tão pouco o uso litúrgico da palavra implica que o pão e o vinho
se tornem o corpo e sangue de Cristo de tal forma que, na celebração
eucarística, sua presença esteja limitada aos elementos consagrados. Não
implica também que Cristo se torna presente na eucaristia da mesma forma que
esteve presente em sua vida terrestre... O que se afirma aqui é uma presença
sacramental pela qual Deus se utiliza das realidades deste mundo para
transmitir as realidades da nova criação... A mudança final preparada por Deus
é a transformação dos seres humanos na semelhança de Cristo. (p. 35)
Então,
é importante que vejamos a nós mesmos como uma comunidade em missão, sinal de
Cristo e do seu Reino de amor e de paz.
Na Comunhão
A
comunhão (ato de comungar) é a seqüência natural à fração – Jesus partiu,
precedida de dois atos: Jesus tomou, Jesus deu graças. A comunhão procede do
quarto ato histórico de Jesus: deu de comer e beber. É considerada máxima
bênção receber o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo. Por essa razão todas ministrações
de bênção sejam feitas antes da comunhão.
Procedimento
O
convite com as palavras da Igreja antiga e das Escrituras ou outras palavras da
Bíblia precede à comunhão propriamente dita. Uma das implicações disso é que
Mesa é do Senhor. Depois do convite, a rubrica diz, “os ministros receberão o
Sacramento”. Isso inclui, também, o celebrante. Além disso, os ministros
poderão comungar por último, sinalizando que sua função é servir, conforme a
sugestão da Consulta Anglicana Internacional sobre a Eucaristia realizada em
Dublin, Irlanda. Outrossim, a diferente maneira de ministrar a comunhão para quem
cerca a Mesa e para quem se encontra na Nave pode comunicar que há “duas
Igrejas”. E a ministração da patena só pelo celebrante e do cálice só pelo
ministro auxiliar pode sinalizar que o Pão é mais importante que o Vinho, por
isso, é aconselhável que o bispo ou presbítero, também, ministrem o cálice. Os
gestos falam. Esses são os conselhos da referida Consulta.
Pós-Comunhão e envio
Nas
orações vemos dois tópicos do propósito da comunhão: o sacramento como alimento
dos cristãos e da comunidade, e o envio ao mundo para o serviço de Deus. A
primeira oração sublinha a nossa incorporação em Cristo, reafirmando o nosso
Batismo. A segunda oração salienta vida cristã como sacrifício vivo e santo.
A
primeira oração do Rito I é um resumo da coleta elaborada por Thomas Cranmer
focalizando o sentido da “Santa Comunhão como ação de graças, mistério, graça,
incorporação em Cristo e antecipação do Reino” e “transferindo a comunidade de
adoração para as boas obras no mundo.”
Hospitalidade Eucarística
A
hospitalidade eucarística ecumênica que adotamos decorre de nossa percepção de
que a Mesa é do Senhor. A Conferência de Lambeth (dos bispos anglicanos do
mundo todo) de 1968 incentivou a mesa aberta a todos os cristãos de fé trinitária
episcopais ou não e a reciprocidade, em caso de necessidade, onde existe
acolhida. Essa posição foi exposta no seminário do Conselho Nacional de Igrejas
Cristãs sobre esse tópico, há alguns anos.
Relacionada
com a hospitalidade é oportuno dizer que os convidados do Senhor à sua Mesa são
todos os tipos de carentes, necessitados, famintos e sedentos de Deus e
pecadores. É bom lembrarmo-nos de que a Ceia do Senhor na noite em que foi
traído e a Ceia em Emaús situam-se no contexto das parábolas e refeições do
Reino,
em que estiveram presentes os excluídos da sociedade, os necessitados do
perdão, da libertação, da aceitação, aqueles que não compreendiam o sentido do
reinado de Deus, (Lc 22.24) e não perceberam a presença do Senhor ressuscitado
e seus olhos foram abertos quando o Senhor partiu o pão, (Lc 24). Esse é o
mistério da graça que nos precede, nos acompanha, nos permeia e nos conduz pelo
caminho da Nova Criação, da Cidade que vem de Deus.
Algumas considerações
Orações Eucarísticas e sua história
É
a conclusão dos entendidos da matéria que as orações eucarísticas surgiram do
padrão judaico da oração pascal. Não existe um texto de oração eucarística
original, mas padrão. Essa foi a conclusão de G.Diz – A Estrutura da Liturgia (The
Shape of the Liturgy). A oração do Rito I é uma adaptação da oração do primeiro
Livro de Oração Comum, (Thomas Cranmer). A oração do Rito II é uma adaptação
livre da Oração de Hipólito, Ocidental, (século III), e a Oração A é da autoria
de Howard Calley e a Oração B tem como modelo a Oração de S.Basílio, de Alexandria,
Oriental, (século IV). É considerada ecumênica, porque várias Igrejas fizeram
adaptação para suas respectivas Igrejas.
No que se refere ao padrão, a Oração A é um tanto destoante no sentido de que a
oblação e epiclese são deslocadas antes das palavras de Instituição. E isso tem
motivado a insatisfação por parte dos liturgistas da própria Igreja do Estados
Unidos. A Igreja do Canadá em sua Oração nº 4 colocou a mesma oblação após anamnese
e ampliou a epiclese no sentido de incluir toda a terra. Tudo isso significa
que, de um lado, “ os cristãos são formados pelo modo de orar e o modo como
eles decidem orar expressam o que são” e, por outro lado, “mesmo as palavras
acordadas representam apenas um início de adoração e quem as usa fazem bem
reconhecer sua transitoriedade e imperfeições. Devem trata-las como escada não
o alvo”.
Unidade entre o Batismo e a Eucaristia
A
comunidade que se torna visível na Eucaristia é a comunidade que nasceu de um
só Batismo, e incorporado em Cristo. Neste sentido, é significativa a junção
entre o batismo e o cálice com a referência à sua morte e ressurreição nas
palavras de Jesus,(Mc 10.38). Ambos os sacramentos têm como propósito a
participação e incorporação em Cristo, diferindo-se da seguinte maneira. No
Batismo, somos incorporados em Cristo por meio da lavagem (água), na Eucaristia
somos alimentados com o sacramento do Corpo e Sangue. No Batismo a dimensão uma
vez para sempre da incorporação em Cristo é sinalizada. Na Santa Comunhão a
dimensão contínua de nossa incorporação é sublinhada. Semelhante conexão e
distinção entre esses dois sacramentos foram feitas na Igreja antiga e na época
da Reforma.
Como
princípio “celebrar a Eucaristia envolve a reafirmação do nosso compromisso
batismal de morrermos para nós mesmos e ressurgirmos para uma novidade de vida,
incorporando essa visão do Reino na ação social na comunidade. O Espírito que
nos chama a ser um só corpo em Cristo nos equipa e envia para viver esta vida
divina (justiça, reconciliação e paz)”.
Em poucas palavras, a celebração da Eucaristia reafirma o que nos foi dado no
Batismo e desdobra o nosso compromisso e aliança batismal em termos de
proclamação, intercessões, saudação paz, oferenda, oração, partir do pão e
envio. O que dizemos por missão é representado de diversas maneiras no decorrer
da celebração. Cabe a nós, portanto, descobrir e re-descobrir a conexão
criativa entre esses dois sacramentos básicos da Igreja e das Escrituras.
APÊNDICE
QUE É IMPORTANTE NA ESTRUTURA EUCARÍSTICA?
Sugere-se
o seguinte esquema para celebração da eucaristia aos Domingos e deve ser
variado, conforme as quadras litúrgicas e ocasiões especiais.
O
que se segue indica a importância relativa de vários elementos do rito eucarístico.
Classificação
dos componentes em:
(1)
indispensável
(2)
parte integral do rito, porém não é indispensável
(3)
partes que não seriam omitidas, em princípio, cuja presença seria limitada ou
variada de acordo com a Quadra eclesiástica
(4) partes não necessárias,
mas que podem ser incluídas e até desejáveis em determinados momentos.
I. Reunião
da Comunidade
Hinos,
ou algumas outras expressões musicais
enquanto
a comunidade se reúne. (4)
Rito
penitencial (aqui ou noutro lugar) (4)
Saudação (1)
Canto
de louvor (1)
Coleta/Oração
de Abertura (1)
II. Proclamação
da Palavra
Primeira leitura
- Antigo Testamento (1)
Salmo (1)
Segunda leitura -
Novo Testamento (1)
Aleluia ou tracto
(um verso de um Salmo cantado que
substitui o
Aleluia) (3)
Hino (4)
Evangelho (1)
Sermão ou Homilia (1)
Credo (3)
III. Oração dos Fiéis (1)
Oração Dominical
(pode estar noutro lugar) (1)
Paz (pode estar
noutro lugar) (1)
IV Celebração da Mesa
do Senhor
Preparação das
oferendas (1)
Oração sobre as
oferendas (4)
Grande Oração
Eucarística (1)
Oração
Dominical (1)
Silêncio (1)
Fração (Partir do
Pão) (1)
Convite (2)
Comunhão
(1)
- Saída do Povo para a Missão
Silêncio
(1)
Hino
(4)
Ação de graças
pós-comunhão (1)
Despedida
(1)
Bibliografia
Além das obras
citadas nas anotações,
CEA Reflexões Nº 4 Sacramentos: uma abordagem teológica e
pastoral 1998
Diocese Meridional -Pontos de uma pastoral diocesana do
Santo Batismo
Diocese Sul-Ocidental - Batismo na IEAB
Diocese Anglicana do Recife – Ritos Ocasionais
Sumio Takatsu – Liturgia batismal (1987) mimeografado
Aspecto cerimonial do Santo Batismo (sd, mimeografado)
Iniciação cristã no Novo Testamento (sd, mimeografado)
Plano de Liturgia 1987 mimeografado
Davies, J.G.
Worship and Mission, SCM Press
1966
The Architectural
Setting of Baptism, Barrie & Rockliff 1962
Meyers, Ruth A. Continuing the Reformation:
Revisioning Baptism in the Episcopal Church, Church 1977
Meyers, Ruth A. (Ed) A Prauer Book For the
XXI Century – Comissão Permanente de Liturgia da ECUSA, Church 1996
Holeton, David R. (Editor) Our Thanks and Praise: The Eucharist in Anglicanism
Today, Anglican Bk Centert 1998
Holeton, David R. (Editor) Growing in Newness of Life: Christian Initiation in
Anglicanism Today, ABC 1993
Senn, Frank. Christian Liturgy: Catholic
and Evangelical, Fortress Press 1997
Lathrop, G. Holy Things: Liturgical
Theology Fortress Press 1993
Lathrop, G. Holy People: Liturgical
Ecclesiology, Fortress Press 1999