Estimados
irmãos e irmãs...
No dia 28 de julho desse ano completou-se o primeiro ano de
minha ordenação episcopal e posse como bispo diocesano.
E meu desejo foi e é que trabalhemos juntos para o
crescimento e santificação de nossa diocese.
Fico comovido quando me lembro daquele dia: a presença de tantos bispos
de nossa e de outras províncias; os fiéis vindos das paróquias e missões;
recordo-me das esperanças expressas por palavras de alguns e das estampadas nos
rostos de muitos.
Nesse primeiro ano busquei conhecer mais
profundamente a realidade de nossa diocese.
Nas minhas visitas episcopais, com espírito aberto e
acolhedor, busquei ouvir e instruir sempre apoiado na Palavra de Deus e no que vou
aprendendo na convivência com as pessoas por onde passo.
Sinto que os laços de confiança entre nós têm se
fortalecido. Mas ainda é preciso que cada clérigo, cada ministro, cada fiel
assuma com sua parte de responsabilidade na expansão do Reino, no crescimento
da Igreja de Jesus Cristo.
Nesse Concílio refletiremos sobre a missão da Igreja
ou sobre a nossa missão.
Queremos, como diocese, nos colocar a caminho, num
espírito de peregrinação, pois sabemos que não temos aqui morada definitiva.
É preciso também cultivar em nós um espírito de
solidariedade, sobretudo com os mais carentes, porque o próprio Jesus
manifestou seus mais sinceros cuidados e atenção para com os desprotegidos.
Meus irmãos e irmãs lembremo-nos que como diocese
anglicana, devemos ser comunidades transformadas e transformadoras, focos de
irradiação da Boa Nova e de vida para todos.
As pessoas só acreditarão no Evangelho e na ação de
Deus, se virem como nós nos amamos, e se trabalharmos unidos para que esse
mundo seja edificado conforme os valores evangélicos do amor serviçal, da
justiça que promove a vida para todos e atenua as desigualdades, e da comunhão
de irmãos que nos faz levantar nossas vozes e mãos em ação de graças ao nosso
Deus Criador.
Ao tomarmos o lema da CONFELIDER para nosso Concílio
Diocesano, queremos lembrar que não somos uma diocese isolada, mas somos parte
da comunhão anglicana existente no Brasil. Sei que temos um longo caminho a
percorrer, mas enquanto o fazemos, nesses dois dias em que estaremos reunidos
na presença de Deus Trindade, criemos espaço dentro e fora de nós para transformar,
avaliar e celebrar o que percebermos como apelo de Deus.
Saibamos respeitar os ritmos diferentes de cada
comunidade; busquemos caminhos e meios para sermos agentes e promotores dos
sonhos e esperanças das pessoas.
Precisamos motivar a ação pastoral na nossa diocese.
Como responder aos desafios que esse imenso centro urbano nos propõe? A cidade
continua como rebanho, abatido, desanimado e sem pastor.
Que Deus nos dê coragem e ânimo. Que acreditemos nas
palavras de Jesus, que prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação
dos séculos.
Acolhamos esses dois dias como Kairós, o tempo de
Deus e da Graça, momento único que ele nos dá para observar os frutos que estão
crescendo a partir do que foi semeado pelos que vieram antes de nós. E
percebamos também a necessidade de trabalhar para uma nova semeadura.
Querido rebanho, não tenha medo de limpar o terreno,
tirar tudo o que sufoca a obra de Deus que insiste em nascer.
Deus conta conosco e eu também conto com a oração de
cada um de vocês.
A todos minha bênção e apoio fraterno, sempre.
+ Hiroshi
Ito