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A ESSENCIA DO ANGLICANISMO



Uma adaptacao da Declaracao de Montreal sobre a Essencia do Anglicanismo, 1994
feita pela Igreja Anglicana Paraguaia,1996

[Prefacio da versao original em Ingles: Como membros da Igreja Anglicana do Canada, representantes de cada provincia e territorio do pais, e como participantes na
gConferencia Sobre o essencialh, em Montreal, 1994, juntos adoramos a Deus por sua graca salvadora e pelo companheirismo que desfrutamos com nosso Senhor e uns com os outros,]

Afirmamos os seguintes pontos essenciais da fe crista:


1. CREMOS EM UM DEUS TRINO

 
Ha um so Deus que se auto-revelou como tres pessoas,
gde uma substancia, poder e eternidadeh, o Pai o Filho e o Espirito Santo. Por causa do evangelho, rejeitamos qualquer proposta para modificar ou marginalizar estes nomes e afirmamos seu justo lugar na oracao, na liturgia e no canto dos hinos. Pois o evangelho nos convida, pelo Espirito Santo a compartilhar companheirismo eternamente com o Deus trino, como filhos adotados na familia de Deus na qual Jesus e por sua vez nosso salvador e nosso irmao. (Dt 6:4; Is 45:5; Mt 28:19; II Co 13:14; Gl 4: 4-6; II Tss 2: 13,14; I Pd 1:2; Jd 20,21. Ver Artigo I dos 39 Artigos, Livro de Oracao Comum).

2. CREMOS EM DEUS: CRIADOR, REDENTOR E SANTIFICADOR

O Todo-Poderoso Deus trino criou um universo que em todo sentido era bom ate a queda e confusao produzidas pela rebeliao de suas criaturas. Havendo-se introduzido o pecado, Deus em amor se propos restaurar a ordem cosmica com:

- o chamamento de um povo com o qual fez um pacto, ou seja, Israel;
- a vinda de Jesus Cristo para nos redimir;
- o derramamento do Espirito Santo para nos santificar;
- o surgimento e a edificacao da Igreja a fim de cultua-lo e testemunhar no mundo;
- a Segunda vinda de Cristo, em gloria, para fazer novas todas as coisas. Atraves da historia o desenvolvimento do plano de Deus tem se caracterizado por suas obras milagrosas. ( Gn 1-3; Is 40:28; 65:17; Mt 6:10; Jo 17:6; At 17:24-26, 28; I Co 15:28; II Co 5:19; Ef 1:11; IITm 3:16; Hb 11:3; Ap 21:5. Ver Artigo I)

     
3. AFIRMAMOS QUE A PALAVRA SE FEZ CARNE


Cremos em Jesus Cristo

- o filho encarnado de Deus, nascido da Virgem Maria, em vida sem pecado,
- ressuscitado dos mortos corporalmente e agora reinando em gloria, embora presente com seu povo pelo Espirito Santo.
- Ele e ao mesmo tempo, o Jesus da historia e o Cristo das Escrituras.
- É Deus conosco e unico mediador entre Deus e a humanidade, a fonte da salvacao e o doador da vida eterna a Igreja universal. (Mt 1:24,25; Mc 15: 20-37; Lc 1:35; Jo 1:14; 17: 20,21; At 1:9-11; 4:12; Rm 5:17; Fp 2:5,6; Cl 2:9; I Tm 2:5,6; Hb 1:2; 9:15. Ver Artigos II-IV; O Credo de Niceia).
  

4. CREMOS EM JESUS CRISTO, O UNICO SALVADOR

O pecado humano e uma orgulhosa rebeliao contra a autoridade de Deus. Se expressa em nosso desprezo a viver em amor tanto para com o Criador quanto para com suas criaturas. O pecado corrompe nossa natureza e seu fruto e a injustica, a opressao, a desintegracao tanto a nivel pessoal como social. Portanto somos culpados diante de Deus.

- O pecado destroi a esperanca e nos conduz a um futuro sem Deus e separados de todo o bem.

- O unico que pode nos salvar da culpa, da vergonha e do poder do pecado e Jesus Cristo. Ele e o unico que pode nos tirar do caminho do pecado.

- O arrependimento genuino e a verdadeira fe em Jesus sao os unicos caminhos que nos levam a salvacao.

Por seu sacrificio propiciatorio na cruz por nossos pecados, Jesus venceu os poderes da escuridao e assegurou nossa redencao e justificacao; por sua ressurreicao corporal garantiu a futura ressurreicao e a heranca eterna dos que creem; e pelo dom regenerador do Espirito restaura nossa natureza caida e nos renova a sua imagem. Portanto afirmamos:

- Em cada geracao Ele e o caminho, a verdade e a vida para individuos pecadores e o unico arquiteto e construtor da comunidade humana restaurada ( Jo 14:6; At 1:9-11; 2:32,33; 4:12; Rm 3:22-25; I Co 15:20-24; II Co 5: 18,19; Fp 2:9-11; Cl 2:13-15; I Tm 2:5,6; I Pd 1:3-5; I Jo 4:14; 5: 11,12; Ver Artigos II-IV, XI, XV, XVIII, XXXI).
 

5. CREMOS NO ESPIRITO DE VIDA

O espirito Santo, go Senhor e doador da vidah, enviado a Igreja pelo Pai e pelo Filho,

- revela a gloria de Jesus Cristo,
- nos convence do pecado,
- transforma nosso ser interior,
- nos leva a fe,
- nos fortalece para viver com justica,
- cria a comunhao,
- nos da poder para o servico.
- O Espirito Santo transforma nossa natureza humana e nos da uma verdadeira antecipacao dos ceus. A unidade em amor dos cristaos e das igrejas plenos do Espirito Santo e sinal poderoso da verdade do cristianismo. (Gn 1:2; Ex 31:2-5; Sl 51:11; Jo 3:5,6; 14:26; 15:26; 16:7-11, 13-15; I Co 2:4; 6:19; 12:4-7; II Co 3:18; Gl 4:4-6; 5:22-26; Ef 1:13-24; 5:18; I Tss 5:19; II Tm 3:16. Ver Artigo V; o Credo de Niceia).

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6. A AUTORIDADE DA BIBLIA

As Escrituras canonicas do Antigo e Novo Testamento sao ga palavra de Deus escritah, inspirada e autorizada, verdadeira e confiavel, coerente e suficiente para a salvacao. gA Palavra de Deus escritah tem vida e e poderosa como guia divino tanto para a conduta quanto para a fe crista.

A fe trinitaria, cristocentrica, orientada para a redencao, que se encontra na Biblia, esta encarnada nos credos ecumenicos historicos e nos documentos anglicanos fundamentais. Em cada epoca, o Espirito Santo conduz o povo de Deus, a Igreja, a submissao as escrituras como seu guia. Para isso, usa sempre como ponto de referencia o respeito as santas tradicoes, o uso humilde da razao humana e a oracao.
A Igreja nao pode se constituir juiz das Escrituras, descartando e selecionando ensinos. As Escrituras mesmas, sob a autoridade de Cristo, julgam a Igreja no que tange a sua fidelidade a verdade por ele revelada. (Dt 29:29; Is 40:8; 55:11; Mt 5:17,18; Jo 10:35; 14:26; Rm 1:16; Ef 1:17-19; II Tm 2:15; 3: 14-17; II Pd 1:20,21. Ver Artigo VI- VIII, XX).
   

7. A IGREJA DE DEUS

Aquela sociedade sobrenatural denominada ga Igrejah e;

- a familia de Deus,
- o corpo de Cristo,
- o templo do Espirito Santo. E a comunidade dos crentes, justificados pela fe em Cristo, incorporados a vida ressurreta de Cristo e posta sob a autoridade das Sagradas Escrituras como a palavra de Cristo. A Igreja na terra esta unida por meio de Cristo a Igreja dos ceus, na comunhao dos santos. Atraves do ministerio da Igreja, ou seja, da palavra e dos sacramentos do evangelho (o Batismo e a Santa Comunhao), Deus ministra vida em Cristo aos fieis, e desta maneira capacitando-os para a adoracao, para o testemunho e para o servico.

Na vida da Igreja so se deve sustentar como essencial para a salvacao aquilo que pode ser comprovado pelas Escrituras. O nao essencial nao deve ser requerido de ninguem como crenca, nem exigido como materia de doutrina, disciplina ou culto. ( Ef 3:10-21; 5:23,27; I Tm 3:15; Hb 12:1,2; II Tm 3:14-17. Ver Artigo XIX, XX e XXI).

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8. A NOVA VIDA EM CRISTO

Deus fez os seres humanos com sua imagem divina para que pudessem glorifica-lo e goza-lo para sempre. Desde a queda que o pecado nos alijou a todos de Deus e trouxe confusao as nossas motivacoes e acoes. Assim como a propiciacao e a justificacao nos restauram a comunhao com Deus e nos perdoa o pecado, a regeneracao e a santificacao tambem nos renovam a imagem de Cristo, para podermos vencer o pecado. E o Espirito Santo quem nos ajuda a levar uma vida disciplinada e a praticar as disciplinas cristas. Nos transforma, atraves das mesmas, de forma crescente.

Nao nos e outorgada neste mundo a ausencia total do pecado, nem a nivel pessoal, nem na Igreja nem na sociedade. Os cristaos seguirao sendo defeituosos gem pensamentos, palavras e obrash ate serem aperfeicoados no ceu. (Gn 1:26-28; 3; Jo 3:5,6; 16:13; Rm 3:23,24; 5:12; I Co 12:4-7; II Co 3:17,18; Gl 5:22-24; Ef 2:1-5; Fp 2:13; II Pd 3:10-13. Ver Artigos IX-XVI).
  

9. O MINISTERIO DA IGREJA

O Espirito Santo outorga dons diferentes e distintos a todos os cristaos, com o proposito de glorificar a Deus e edificar sua Igreja em verdade e amor. Todo cristao recebe em seu batismo um chamado a ser um ministro, seja qual for seu genero, raca, idade ou condicao socio-economica. Cada filho de Deus deve desenvolver seus dons na forma do servico para o qual Deus o chamou e equipou.

Dentro do sacerdocio de todos os crentes, honramos o ministerio da palavra e dos sacramentos, para os quais sao separados principalmente os Bispos, Presbiteros e Diaconos. (Rm 12:6-8; I Co 3:16; 6:11; 12:4-7,27; II Co 5:20; Gl 2:16; Ef 4:11-13; I Tm 3:1, 12,13; 5:17; Hb 2:11; I Pd 2:4,5,9,10. Ver Artigo XIX, XXIII).

   
10. O CULTO DA IGREJA

O chamado primordial da Igreja, como de cada cristao, e oferecer culto, em Espirito e em verdade, ao Deus da criacao, da providencia e da graca. As dimensoes essenciais do culto sao a adoracao e a acao de gracas por todas as coisas boas, a proclamacao e celebracao da gloria de Deus e de Jesus Cristo, a oracao pelas necessidades humanas e pelo avanco do reino de Cristo, e o oferecimento de nos mesmos como sacrificios vivos. Todas as formas liturgicas ? sejam informais, escritas, musicadas ou cerimoniais - devem desenvolver-se sob a autoridade das Escrituras.

O Livro de Oracao Comum prove um padrao doutrinal fundado na Biblia, e deve ser guardado como a norma para toda alternativa liturgica. Nao devera ser revisado drasticamente, em um clima de confusao teologica como o que se encontra em muitas partes das Igreja contemporanea.

Nenhuma forma de culto pode exaltar a Cristo verdadeiramente nem lhe promover uma devocao verdadeira sem a presenca e o poder do Espirito Santo. A oracao, publica e privada, e central para a saude e renovacao da Igreja. A oracao para a cura divina, tanto espiritual quanto fisica, e um bom elemento do culto anglicano. (Jo 4:24; !6:8-15; At 1:8; 2:42-47; Rm 12: 1; I Co 11:23-26; 12:7; II Co 5:18,19; Ef 5: 18-20; Cl 3:16; I Tess 1:4,5; 5:19).

11. A PRIORIDADE DO EVANGELISMO

Evangelizar significa proclamar a Jesus Cristo como Salvador divino, Senhor e Amigo, de maneira a convidar as pessoas a se aproximarem de Deus por meio dele, a render-lhe culto e a servi-lo, e a buscar o poder do Espirito Santo para sua vida de discipulado na comunidade da Igreja. Todo cristao e chamado a testemunhar de Cristo, como sinal do amor que temos a Ele e ao proximo. A tarefa, que e um assunto prioritario, demanda treinamento pessoal e uma constante busca por metodos apropriados para atingir uma comunicacao persuasiva e convincente. Nos semeamos a semente e esperamos que Deus envie o fruto. (Mt :13-16; 28:19,20; Jo 3:16-18; 20:21; At 2;37-39; 5:31,32; I Co 1:23; 15:2-4; II Co 4:5; 5:20; I Pd 3:15).
  

12. O DESAFIO DA MISSAO MUNDIAL

Segue sendo necessario responder a Grande Comissao de Jesus Cristo com um compromisso evangelistico e com um cuidado pastoral que va alem de nossa propria cultura. A ordem de Jesus Cristo em pregar o evangelho por todo o mundo, de fazer discipulos e plantar igrejas, continua em vigencia. A missao deve caracterizar-se pelo servico.

Cristo e sua salvacao tem que ser proclamado em todo lugar com sensibilidade, porem energicamente, tanto em nosso pais como no estrangeiro. A missao transcultural tem que ser apoiada com oracao, generosidade e ofertas, e envio de missionarios. A missao global envolve companheirismo e intercambio. (Mt 28:19,20; Mc 16:15; Lc 10:2; Rm 15:23,24; I Co 2:4,5; 9:22,23; II Co 4:5; 8:1-4,7; Ef 6:19,20; Fl 2:5-7; I Tss 1:6-8).

    
13. O DESAFIO DA ACAO SOCIAL
 
O evangelho constrange a Igreja a ser
gsalh e gluzh do mundo e a mostrar coerencia em sua vida diaria e nos ensinamentos biblicos para que se ordene corretamente a vida social, economica e politica e para que haja uma boa mordomia da criacao. Os cristaos devem se preocupar pela causa da justica e em fazer atos de compaixao. Embora nao se possa identificar nenhum sistema social com o Reino de Deus, a acao social e parte integrante de nossa obediencia ao evangelho. (Gn 1:26-28; Is 30:18; 58:6-10; Am 5:24; Mt 5:13-16; 22:37-40; 25:31-46; Lc 4:17-21; Jo 20:21; II Co 1:3,4; Tg 2:14-16; I Jo 4:16; Ap 1:5,6; 5:9-10. Ver artigo XXXVIII).
  

14. O NOVO COMECO

Juntos reafirmamos nossa confianca no cristianismo anglicano que se expressa nos padroes historicos dos credos ecumenicos, nos Trinta e Nove Artigos e no Livro de Oracao Comum. O respeito por estes padroes reforca nossa identidade e comunhao. Como pecadores, reconhecemos que em principio fomos desobedientes ao Senhor da Igreja. Com ajuda de Deus resolvemos guardar nossa heranca e transmiti-la intacta e integralmente. Esta plenitude de fe e necessaria tanto para a renovacao anglicana quanto para a proclamacao eficaz das Boas Noticias de Jesus Cristo no poder do Espirito Santo.

Convidamos a todos os anglicanos a se unirem a nos, afirmando que esta declaracao contem o essencial da fe para o discipulado e a pratica crista para nossos dias. Nesta declaracao cremos estar insistindo somente naquilo que e genuinamente essencial. No que tange ao nao essencial, devemos pedir a graca do Senhor para reconhecer e respeitar a liberdade dos outros que tem caracterizado tradicionalmente nossa heranca anglicana.

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Traduzido e adaptado pelo Rev. Jorge Aquino, ose